AcaraJean do mangue pra nenhum baiano botar defeito : arrocha o buriti faz cantar o sabiá

Baiano tem muito orgulho do seu acarajé:  bolinho de massa de feijão fradinho (o feijão de Iansã) com cebola e sal, frito em azeite de dendê (chamado epô no candomblé). Tem mais de 3500 baianas de acarajé apenas em Salvador. Patrimônio cultural imaterial da Bahia em 2005, o ofício de baiana de acarajé virou patrimônio nacional  brasileiro em 2014. Dá até pra entender o orgulho do baiano em relação a aquilo todo.

Agora eu que sou baiano emprestado, filho de cabra da peste e de bode do mangue fedido metido a valentão,  tenho também direito de rodar à baiana.

Iê acarajé iê abará ! Acara, acara ajé acarajé ! Tá ! Vou meter a colher de pau onde não fui chamado ! Vou botar a boca no trombone ! Quem falou que lugar de gringo era no bairro do Boca Piu ! Vou apresentar hoje mesmo meu acaraJean do mangue! Vou dar a minha  receita já já !

Ingredientes :

para o acarajé : 500 gramas de feijão fradinho, cebola, sal

para o caruru : quiabo cortado fininho, taioba, cebola, peixe defumado e temperos, pimenta

para o vatapá : jerimum ralado, malanga (tarô) ralada, cenoura ralada, massa de pão dormido, tempero verde, cebola, alho, azeite de abacate

Em vez do camarão seco  meu acaraJean do mangue sai com 15 diferentes recheios : chumbinho, peguari, siri catado, sururu, lambretas, pinaúna, abacate com bacalhau, manga verde ralada com pepino ralado, mamão verde ralado com cenoura ralada, titiri (alevinos de peixe), tarioba, gaiamum com queijo parmegiano, chèvre chaud, Brie e boudin (morcilha)

 E ainda tem aquele molho lambão servido de lado.

Gostou ? Hum, do jeito que tá sorrindo ou tossindo, duvido muito. Mas é seu direito.  Sua boca, seus olhos, né ! O importante é que eu gostei e estou mandando de grátis a receita pra o mundo. Foi feito com amor, é tudo que eu sei.

É o seguinte.

O melhor acarajé é aquele feito com amor, fala  Rita Maria Ventura dos Santos, presidente, já faz 11 anos da ABAM – Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivos da Bahia. Começou originalmente como Associacão das Baianas de Acarajé (ABA) em 1997. Agora além de baianas de acarajé, tem baianas de beiju, baianas de mingau até baianas da moqueca ! Aposto que haverá um dia desses, baiana do cuscuz, do cafézinho, da pamonha, da caipirinha, do amendoim cozido, da carne do sol,  do queijo coalho assado na brasa, do bode assado na brasa ! Caprichem baianas! Aguarde só para ver !

Tudo bem, a profissão está se organizando, se profissionalizando. Mas ao mesmo tempo está se fechando. Já falei neste blog que é um reflexo de todo corpo, toda congregação de  se recolher na sua tradição para não enfrentar a modernidade. Mas aqui o problema é duplo já que o acarajé tem duas vertentes : a vertente profana e a vertente sagrada.

Quero falar primeiro da vertente profana : é o acarajé degustação !Aí a concorrência é viva, vivíssima entre os donos de bares, de restaurantes, os hotéis, os chefes de cozinha os delivery que tem suas receitas também. Cada um com seus gostos.

Vejamos primeiro a chefe Patricia Gonçalves

 

Ja tem acarajé ou abará com recheio de bacalhau ou de casquinha de siri. Delícia !  Não vai demorar muito, se não já saiu, acarajé Romeu e Julieta com queijo e doce de goiaba, a dúzia de acaraJean com recheio de lambretas (minha receita), o acarajé vegan, o acarajé com ovo frito, o acarajé do mangue (com recheio de sururu, tarioba e chumbinho : outra criação minha), o acarajé com recheio de manga verde ralada, pepino ralado e pimentinha esperta (outra opção dos sonhos minha)! O acaraJean  Caatingueiro (com direito a champignons de Paris  e chèvre chaud). Ainda estou trabalhando na finalizaçaão dos produtos, da empresa, do marketing; assim que acabar com esse corre-corre administrativo e financiero eu aviso quando os primeiros acaraJeans ficarem disponíveis para importação para o Brasil! Que tal fazer uma franquia que nem Mac Donald ! Mac AcaraJean Ltd ! Acarajé light com massa de milho verde (que nem pamonha), acarajé zen fritado em óleo de soja. Já tem acarajé com tomate verde e não maduro ! Com cebola branca ou cebola roxa. Em vez do óleo de dendê já se usa em outras partes azeite doce, tem novos recheios que aparecem todo dia. Gente, o acarajé está globalizado ! Aliás o acarajé do Brasil já nasceu globalizado já que ele vem da África.

Aliás vou contar para você algo que não vão gostar. No Caribe, nas ilhas do Caribe, de onde eu venho, toda ilha tem seu acarajé. Cada ilha dá seu próprio nome mas na minha ilha o nome é accra. Dá pra sentir a filhação accra com acarajé e o akara africano ? Mesma coisa com caruru que a gente chama ainda na minha terra calalou. Toda ilha tem seu tipo de calalou ou callaloo. Pronto. Deu pra entender o negócio? Em nenhuma dessas ilhas o caruru nem o acarajé foi tombado e a vida continua. O negócio é que em nossas ilhas todas e até em Haiti, terra poderosa de candomblé forte, (o tal de vaudou) ou em Cuba, terra da santeria,  ninguém impõe: tem acarajé só que lá não se chama acarajé se chama accra (no caribe francês), bean cake no Caribe inglês, e bollitos de carita ou guisante de ojo negro ou bollitos de frijolos de carita ou ainda bunuelitos e cabeça negra no Caribe espanhol. E já temos feito em todas essas ilhas o recheio com bacalhau ou malanga já faz mais de 100 anos. Tem frituras de malanga, (chamada também na região do Oriente em Cuba frituras de guagui), frituras de bacalao, bacalaitos.

Em Cuba ja se fez muito accras de feijão fradinho. Aqui como era a receita no início do século XX. Essa receita de Bollos de Carita aparece no livro Delicia de la Mesa -Manual de Cocina y Repostería” escrito por  María Antonieta Reyes Gavilán y Moenck e publicado em 1925 em La Habana, Cuba.

“Bollos de carita (estilo chino).“-Se tienen en remojo durante toda la noche los frijoles de carita, se lavan en varias aguas, se les quita la cáscara, se escurren y se majan en un mortero, mezclándoles ajo machacado; se baten durante un rato con un poco de agua y sal suficiente. Se fríen en una paila grande con gran cantidad de manteca y a fuego vivo.”

Quer dizer que quem vendia em Cuba em 1925 esses bollitos e carita na Havana eram os chineses. Se misturava alho e sal na massa de feijao e nada de cebola. Batia muito a massa e fritava na mantega.

Na Colômbia existe um tal de buñuelito de cabeça negra feito com feijão fradinho (la se chama frijol carita) que fica misturado com arroz e vai frito também

No Brasil tem uma versão de abará que se chama abaralhau : abará de bacalhau. Vocês já tem o bolinho de bacalhau que nem a gente. Só que vocês colocam batata na massa. Mas veja bem, ninguém faz uma ligação no Brasil com bolinho de bacalhau e acarajé. Mas eu faço ! A moda é agora fazer os minis acarajés, né. O visual é o mesmo. São boquinhas. São mais práticas para comer. Olha este vídeo que mostra duas jovens fazendo o tal de accra de bacalhau (acras de morue sem gluten). Esta receita é bem sofisticada. Adorei ! Nunca fiz assim. Não é a maneira tradicional. Nunca vi fazer essa massa do jeito que elas fazem. A massa se chama pâte à choux. Mas vi firmeza ! Pelo visto a massa delas é bem leve. Ninguém precisou quebrar o braço se esforçando para mexer a massa a fim de que ela fique leve! Deve ser uma delícia! Vou experimentar !

Agora vem outra receita mais tradicional de Haiti : akra sem peixe mas com malanga (que a gente chama também dachine, dasheen, madère, tarot, chou caraïbe). Malanga é uma raiz gostosa que nem inhame. No Brasil se vende como tarô, ou dachina ! Na minha ilha a gente faz também esse tipo de accra com legumes. Isso que é o accra tradicional que veio do Dahomey, o antigo nome do Benin. Esse que deveria então ser tombado ! Bolinho de legumes frito, isso que é akara ! Depois cada um faz seu cada qual !

Na minha ilha, paraíso tropical abençoado por Deus e também bonito por natureza, a gente come ainda esse acra tradicional na sexta-feira santa e também na Pentecosta como devoção já que tem que se comer magro, por causa do jejum. Os legumes utilizados tradicionalmente são jerimum,  cenoura ou malanga. Assim se mantém a tradição. Mas ninguém impede você de comer esse o ano todo. Aliás acho uma delícia. Esse que é o autêntico ! Como você pode ver a forma do akra é diferente. Aliás minha mãe sempre fez e ainda está fazendo assim na maior parte do tempo. E quando não tem nemhum desses legumes por perto faz com farinha de trigo pura e tempero, pimenta, pimenta do reino, usa gema de ovo ou não,  usa clara de ovo batida em neve ou não, usa fermento em pó ou não, bicarbonato de soda ou não. O objetivo é sempre manter a massa leve. Mas a origem é a mesma: o akara africano. Mas se não se incomodar  vamos voltar às raízes ! Back to the roots, man !

O que é mesmo o akra do Dahomey ? Um bolinho de farinha de milho do tamanho de um limão, frito em azeite de dendê. Pronto ! Tem esse bolo também  a base de feijão fradinho em toda África do oeste. No Camarões se chama koki, em outros países se chama  akra de niebé (niebe é o nome local do feijão fradinho), mas pode se chamar também ata, samsas, gaou, sosso froufrou e até kossey dependendo do país e até da região onde você está, seja no Camarões, no Benin, no Togo, na Costa do Marfim, no Senegal, no Burkina Fasso, no Ghana, no Togo. Já falei tudo, falei até demais ! A missa é dita e cantada ! Não vou acrescentar nada.

Tem também o akassa, uma massa feita com farinha de  milho e água, do tamanho de uma laranja, cozida no vapor envolta de uma folha de bananeira. E ainda tem o caloulou que faz lembrar caruru e calalou, né, que é peixe defumado cozido com quiabo em azeite de dendê com temperos e pimenta. Tudo isso existe há mais de 100 anos comprovados. O Dahomey de onde vem o candomblé virou Benin nos anos 60 e com toda certeza o akra tradicional de antigamente deve ter se globalizado também. Quer apostar? Vamos olhar aqui! Será que as baianas de acarajé de lá, somente elas podem comercializar na rua o quitute na terra mãe do candomblé, no miolinho da fé ? Tenho minhas duvidas !

Vamos ver o que esta acontecendo no Togo !

Na Nigeria

Na minha ilha aquele akra com peixe ninguém se lembra como começou. Mas já faz muito tempo. Até nos anos 60 se chamava tal accra lozi, palavra originária do Dahomey -Benin e que quer dizer em idioma ewe/fon olho de jacaré, oeil de caïman. Do mesmo jeito akara quer dizer bola de fogo em idioma iorubá.

Agora accra vem com tudo, é o carro chefe, junto com o boudin, da culinária de Guadeloupe. Tem accra de lagosta, de pinaúna, de camarão, de atum, de chumbinho, de titiri (alevinos e peixes). O limite é a imaginação dos chefes de cozinha. Globalização oblige, teremos, se não ja se faz, accras de salmão, sem duvida um dia. Liberté, égalité, fraternité, accralité.

Agora está evoluindo também com recheios mais na atualidade, peixe defumado, frango defumado, peguari, a massa que era de trigo agora pode ser dependendo da ilha de milho ou até de mandioca. O recheio pode até ser de jerimum ralado, cenoura ralada ou tarô !

O boudin tradicional nosso que era de sangue de porco está se transformando por causa da religião de alguns (adventistas, muçulmanos, evangélicos, Testemunhas de Jeová) que não aceitam  comer porco ou sangue, por isso agora tem boudin (morcilha) de bacalhau, de camarão, etc.

Agora, voltando a tratar da segunda vertente, a vertente  religiosa : o akara sagrado é aquele sem recheio,   é a comida do orixá Iansã. Esse acarajé que é comida de santo então, como as partes dele: o feijao fradinho ( Phaseolus angulares) comida de Xango,   o azeite de dendê (Elaesis guineensis), a cebola,  aí sim se trata de acarajé de preceito. Aí tenho nada a dizer ! Cada um que lide com sua religião, seu dogmo ! suas práticas ! Seus tabus ! Onde acho que a barca ficou pesada é que todo bolinho de feijão fradinho só pode ser vendido em lugar público das ruas de Salvador  se o quituteiro fizer parte da congregação de baianas de acarajé, quer dizer vestir roupa de baiana. Já é demais ! Não acho certo agindo desta forma como fazem taxistas. Isso é apenas ao meu ver para eliminar concorrência. Nada de pré-carré ! Eu gosto é de diversidade ! De práticas culinárias diferentes. Cada um tem seu niche de mercado !

Para explicitar melhor. Veja outro contexto. Aqui na França onde moro tem três niches interessantes em relação à culinária : tem Muçulmanos, tem Judeus, tem Naturebas que nem eu. Todos tem suas redes de comida kasher ou halal ou orgânica. Tem seus produtos no supermercado em função da freguesia, do bairro, etc. .

Pra ter a certificação halal tem que passar por uma organização religiosa que certifica que o produto responde às obrigações rituais (no caso de um animal, tem que saber se este foi morto seguindo os preceito do Corano, foi esvaziado do seu sangue ainda vivo, com a cabeça dirigida em direçao à Meca, o matador tem que ser bom muçulmano, rezar suas 5 orações diárias, ir pra mosquita. A não ser isso toda carne, todo produto halal é como os outros, uma vez que vai ser validado pelo fiscal veterinário. . Aí tudo bem, se para ser baiana de acarajé tem que ser  filha do santo do orixá Oiá, cada um que compre um carajé sabe que este acarajé tem uma origem sagrada. Isso tenho nada contra. Agora nao é porque a  baiana faz que os outros não podem entrar no negócio e fazer acarajé. Acho então que a honestidade deveria ser de declarar os produtos do santo, produtos « nago » que nem os halal e kasher. Eu mesmo chego a comprar  salsichas merguez halal de vez em quando, ou carneiro halal porque não ligo pessoalmente se for lavada ou não a carne.

Da mesma maneira a certificação kasher colocada sobre um produto é uma garantia para o consumidor do controle da matéria prima e do método de fabricação conforme seus preceitos religiosos de acordo com o código alimentar judeu  hasrut,  baseados  no Talmude e na Torá ! Isso quer dizer também que a morte foi dada no caso de um abate ritual de uma certa maneira sob a supervisão de um rabino, que o produto não contém coisas proibidas como coelho, porco, frutos do mar, etc.

Da mesma maneira se eu quiser comer comida orgânica (bio) eu vou ter que pagar mais um pouquinho para receber o selo bio, prova de qualidade do produto. Se eu quero comprar cenouras posso comprar no supermercado tanto a cenoura normal quanto a cenoura orgânica. Os preços são diferentes claro. Posso também na feira encontrar comerciante que vende suas cenouras: mas essas não são orgânicas porque não tem o selo AB, agricultura biológica. Mas eu sabendo que são pequenos produtores vou comprar na mão deles assim mesmo. Eles qualificam seus produtos de naturais, sem agrotóxicos mas não podem chamar de orgânicos. Pra ser chamado de orgânico tem que ter o organismo que fiscaliza um bocado de coisas, sobre a terra, o agrotóxico, a água, as sementes, etc

Os mais gostosos sobreviverão ! Do mesmo jeito bolinhos de Jesus ou acarajés do Senhor pouco me importam, só tenho uma pergunta: é gostoso, é sadio ?

Manuel Querino, em descrição etnográfica do acarajé no livro « A arte culinária na Bahia » (1916), conta assim

« no início o feijão-fradinho era ralado na pedra, de 50 centímetros de comprimento por 23 de largura, tendo cerca de 10 centímetros de altura. A face plana, em vez de lisa, era ligeiramente picada por canteiro, de modo a torná-la porosa ou crespa. Um rolo de forma cilíndrica, impelido para frente e para trás, sobre a pedra, na atitude de quem mói, triturava facilmente o milho, o feijão, o arroz ».

Acarajé é, acarajé era ! Antigamente era assim, agora é assado ! Acarajé é azeite de dendê (no candomblé  epô) mas há quem usa azeite doce, mistura meio a meio com azeite doce, usa azeite de soja, ou até usa outro óleo que imita dendê chamado picuí ! Acarajé é cebola,  acarajé é sal, acarajé é feijão fradinho.

 Acarajé tem suas estrelas em Salvador:

em Itapua tem o acarajé da Cira (que tem também 2 outros pontos no Rio vermelho e em Lauro de Freitas),

no Farol da Barra o acarajé da Tánia (que tem também um ponto no Rio Vermelho),

no Rio Vermelho o acarajé da  Dinha (que morreu ha 10 anos,);

no Aeroporto tem Nide,

no Shopping Barra tem  Gregório,

tem Meire em Brotas,

tem Luis na Mouraria

Vi outro dia no Facebook um vídeo da Tastemade Brasil que achei bom pra caramba sobre como fazer acarajé;

Dei uma olhada boa, vi os ingredientes e vi o resultado final. Adorei. Só provando para saber se é gostoso mesmo ! Pelo que eu vi este vídeo foi visto mais de oito milhões de vezes e recebeu 41881 comentários. Nada mal. 8 080 585 visitas quando eu olhei. Caramba ! Foi publicado 19 de fevereiro  e a chamada é assim: Descubra como fazer o clássico acarajé na sua casa;  Receita completa: https://bit.ly/2BUpcUf  ! Foi compartilhado este vídeo 2151 vezes, 2152 se você me incluir.

Aí cheguei no http://www.tastemade.com.br . Este site é muito bem bolado. Tem versões em US/UK/BR/ES/FR/ID, quer dizer em inglês da Inglaterrea e dos USA , francês, espagnol, brasileiro e indiano. No Brasil o telefonema é +55 (74) 89529472

Matriculei no site para entender o que eles estão propondo. Estão propondo baixar uma aplicação chamado Tastemade. Antes de mais nada fui ler a receita.

PORÇÕES:

serving time7 pessoas

INGREDIENTES

  • 500g de feijão fradinho

  • 1 cebola + 1 cebola + ½ cebola com casca

  • Sal a gosto

  • 3 xícaras de azeite de dendê

  • 250g de camarão seco

  • 1 L de leite de coco

  • 50g de amendoim torrado e sem pele

  • 75g de castanha-de-caju

  • 1 xícara de farinha de mandioca torrada

  • Gengibre ralado a gosto

  • Azeite de dendê a gosto

  • Camarões grelhados para servir na finalização

INSTRUÇÕES

  1. Bater o feijão no processador para quebrar o grão.
  2. Dispor em um recipiente e cobrir com água fria até o dobro do volume de feijão.
  3. Retirar as cascas que vão boiar com auxílio de uma peneira.
  4. Deixar de molho por 8 horas. Escorrer a água.
  5. Bater o feijão e a cebola no processador até virar uma pasta.
  6. Dispor em um recipiente, temperar com sal e bater com uma colher de pau até dobrar de volume.
  7. Esquentar o azeite de dendê e dispor uma cebola inteira dentro para que não ultrapasse a temperatura ideal para a fritura.
  8. Dispor colheradas da mistura no azeite e deixe dourar dos dois lados
  9. Bater no liquidificador o camarão seco, o leite de coco, o amendoim, a castanha de caju, a cebola, a farinha de mandioca e o gengibre.
  10. Passar o creme para uma panela e acrescentar um pouco de sal.
  11. Cozinhar em fogo médio mexendo o tempo todo para não embolar.
  12. Quando estiver quase cozido colocar gotas do dendê, somente o suficiente para dar cor e sabor ao vatapá.
  13. Mexer até desgrudar do fundo da panela.
  14. Servir o acarajé com o vatapá, vinagrete e camarão.

Claro que não cheguei a ler os 41881 comentários.

Minha primeira reação foi dizer faltou o caruru. Mas depois fiquei matutando e lembrei que já estive em bancas de várias baianas em Salvador que não colocavam quiabo no acarajé delas. E o jeito era entupir o vatapá. Por isso não me formalizei.

O negócio é provar, o visual é bom, aparência ótima, parece crocante, tem a boa cor, não vi passar a pimenta no acarajé mas tem gente que come sem pimenta. Posso dizer o quê? Só posso dizer bravo! Agora acho que seria melhor realizar uma releitura do acarajé. Uma ressignificação, como diria aquela baiana afrancesada de Morro do Chapeu. Porque cada clássico tem direito a releituras. Feijoada, vatapá, não são mitos imóveis, a gastronomia evolui todo santo dia. A última vez que estive na Bahia descobri um novo tipo de acarajé de bacalhau. No bairrro de Mussurunga. Também tem essa tendência de fazer mini acarajé. Tem até congelados. Acarajé virou global. Claro que isso não deve agradar às baianas de acarajé que assim estão perdendo sua freguesia cativa, talvez. Também pode se comprar em Itapuã atrás da feira o pó prontinho pra fazer tanto acarajé que vatapá. Acho que facilita muito para a dona ou o dono  de casa. E não tenho prova que um acarajé feito com pó é menos bom que outro feito do jeito tradicional.  Nunca vi ninguém moer trigo para fazer bolo. Porque seria diferente com feijão fradinho. Já existe até pra pamonha farinha de milho pronta. Ninguém se queixa.    Pode moer o feijoã fradinho no moedor manualmente. Claro já vi fazer e depois descascar e tudo. O processo é bastante árduo. Mas duvido; posso estar errado, duvido que as baianas de acarajé de hoje façam este trabalho tudo.

No vídeo fazem a massa do vatapá:  é preciso descascar bem o amendoim, claro, bater com castanha de caju , umas vão colocar leite de coco aí e outras não!  Mas eu sei que muita baiana de acarajé não coloca leite de coco e nem castanha de caju, coloca um pouco de amendoim para dar o gosto, gengibre mas evita por causa do sol árduo manipular muito leite de coco e castanha de caju que é muito gordurosa! Mas vale a pena experimentar antes de dizer se é ruim ou se é gostoso. Pouco me importa a tradição! É como igreja, quem quiser pode rezar em latim! E se quiser não utilizar eletricidade para cozinhar beleza.   Use seu tacho e seu fogão de lenha. E clareie seu tabuleiro com fifó! Nunca foi provado que o fogão de lenha desse mais sabor ao vatapá.

Agora sim tem uma coisa que se perde! O folclore, a risada da baiana, a roupa branca dela, os colares, as fitas do Senhor do Bomfim, o axé, os órixas,  o cheiro do abará na folha de bananeira! Isso faz também parte do patrimônio cultural da Bahia.

Tem essa dimensão religiosa! Comida de santo não é comida qualquer. Tem que obedecer certos preceito; isso sim entendo mas não sou nenhum adepto de Iansã nem Ogum;  apenas um apreciador de qualquer comida diferente deste vasto mundo. E pra mim acarajé nunca foi hóstia! Agora se acarajé é o equivalente para seus adeptos da hóstia então me veio uma idéia: vou fazer meu acaraJean com recheio de panis angelorum, ou seja hóstia com geléia de vinho Bourgogne! Vai ser meu sabor número 16. Tá servido, amado !?  Vai repetir, querida ?

hostia-na-santa-missa

Mesma coisa para bater a massa. tem batedeira profissional que pode fazer muito bem o que um braço faz cansando; é só selecionar a velocidade certa.

Tem gente que parabeniza e que  este vídeo deu vontade de tentar de fazer seu próprio acarajé; é meu caso.

Tem gente que lamenta a falta do caruru (mas avisa que isso já esta acontecendo, muita baiana não servindo o acarajé com caruru)!

Tem gente que critica logo; fala da farinha que ela usa. Deveria usar farinha de trigo e não farinha de mandioca. Outros que falam que demora muito mais do que isso e que é um processo lento e extenuante bater a massa do acarajé. Ninguém se lembra que é um vídeo acelerado, mas tudo bem! Acho que sobretudo é o fato de usar um liquidificador ou um multiprocessador que assombra esse pessoal. Quero fazer o jeito que minha mãe fazia na força dos braços, é assim que esse povo pensa.

Outra faz gozação sobre a quantidade de camarão. Nada disso! Baiana verdadeira lhe entope de camarão, como elas costumam frisar.

Outra fala do gengibre que sua mãe coloca tanto na massa do acarajé quanto na massa do vatapá.

Alguém pergunta se esse negócio que ela tentou fazer era acarajé mesmo !

Muita gozação ! Muita intolerência !

E agora José e agora Joana, gostou do meu acaraJean ? Faz aqui mesmo seu pedido para que logo que eu abrir o negócio, o Mac AcaraJean, eu possa te enviar um pacote demonstração com um mix de 8 recheios para você provar o quitute. Sinalize bem no pedido de degustação os 8 entre 16 possíveis que você escolheu. E obrigado, agradeço pela preferência !

Observe que nosso feijão é feijão fradinho  orgânico com apenas 0,01% de glúten !