Le Corbusier et la cité Frugès

JUILLET 2016.

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Dimanche après-midi à Pessac avec Le Corbusier et les 90 ans de sa cité Frugès, construite entre 1923 et 1926, patrimoine culturel de l’humanité. La maison de 75 m2 coûtait à l’époque un salaire annuel d’ouvrier. Le projet ne fut jamais achevé, seulement 51 maisons furent construites sur plus de 150 projetées. La crise économique de la fin des années 20 plus la résistance des propres ouvriers à la modernité sonnèrent le glas de ce rêve inachevé. Ce projet fut le premier grand projet de Le Corbusier mais avant ce dernier il avait construit entre 1923 et 1924 à l’initiative de l’industriel sucrier et mécène Henri Frugès en Gironde à Lège-Cap-Ferret une autre lotissement comprenant 6 pavillons et destiné aux ouvriers de la scierie locale, préfigurant la Cité Radieuse de Marseille.

Nem sabia. mas fiquei feliz com a notícia. A obra arquitetural de Le Corbusier acabou de entrar dia 17 de julho na lista do patrimônio cultural da humanidade. Entre os 17 conjuntos arquiteturais dele premiados pela Unesco tem um que fica em Pessac, cidade onde eu moro desde o início deste mês. Se trata dos « quartiers modernes Frugès », um loteamento inicialmente previsto para operários pelo industrial Henri Frugès e o arquiteto suiço Charles-Edouard Jeanneret-Gris, vulgo Le Corbusier, entre 1924 e 1926. O projeto inicial era de fazer um loteamento moderno de 130 módulos com cubos de betom coloridos e sem telhados. Tinha várias formas como aranha-ceus, dominos, arcadas, etc. Somente 51 módulos chegaram a ser construídos devido a muita resistência política local, a pouca atratividade do projeto para as pessoas para as quais ele era destinado (o gosto da época era mais para « échoppes », ou casas tradicionais com jardim) tudo isso apesar do apoio do industrial e mecena da área açucareira e do governo central francês. Em 1930 apenas 33 casas foram compradas. O povo aí via essas casas como casas das colônias da Africa do Norte, tanto que chamavam de « cité du Maroc » (conjunto do Maroccos) ou « quartier du sultan » (bairro do sultão ). Esse projeto foi o primeiro grande projeto urbanístico assinado por Le Corbusier embora as casas iniciais tenham sido reorganizadas pelos moradores ao longo do tempo para se adaptar a suas necessidades. Nos arredores de 1930 os operários não tinham carro, então as casas não tinham garagem cada uma. Era uma garagem para 3 casas. Também a calefaçao foi adaptada e espaços para guardar coisas, janelas, escadas, foram revistos pelos moradores proprietários . Se calcula que em 1930 uma família tinha mais ou menos 300 objetos enquanto que agora uma casa possui uns 3000 objetos. Das 51 casas construídas apenas 50 sobreviveram (uma sendo destruída durante a segunda grande guerra). Apesar de ser o sonho inacabado do grande arquiteto e urbanista suiço, apesar da vetustade e do abandono interno e externo de algumas das suas casas a Cité Frugès integrou um conjunto de 17 obras arquitetônicas espalhadas pelo mundo em 7 países e sobre 3 continentos que o tombamento pelo Unesco contempla. Querendo saber mais sobre o assunto : http://www.sites-le-corbusier.org

http://fruges.lecorbusier.free.fr/3586982E-5991-4F84-9FE8-B77332F87BC7.html

Este site é muito interessante e analiza as evoluções e o processo severo de envelhecimento das casas construídas por Le Corbusier e as adaptações que tiveram que ser feitas pelos moradores depois de 80 anos de construção minimalista. A Franca evoluiu muito e casas sem adega sem sótão sem garagem (uma garagem pra 3 casas) e de dificil manutençao por causa dos materiais utilizados por Le Corbusier não são mais o sonho da população apesar de uma crise permanente da moradia.

As « échoppes » eram casas tradicionais populares bem simples que eram ocupadas antigamente no século 15 pelos artesãos e comerciantes de Bordeaux para viver e trabalhar. A palavra francesa « échoppe » deu nascimento ao inglês « shop ». Eram casas de pedra geralmente com 3 cômodos e um jardim-horta no fundo no caso da échoppe simples. Com um corredor e mais quartos no caso da échoppe double (dupla). Em regra geral essas casas tem adega mas não tem segundo pavimento. No século 18 viraram casas de moradia. Agora hoje em dia essas casas (ainda tem mais de 10000 apenas em Bordeaux mas existem umas 5000 também em cidades proximas como Bègles, Le Bouscat, Talence) que ficam bem no centro antigo de Bordeaux são muito procuradas pelas pessoas daqui e de parisienses que querem adquirir moradia em Bordeaux (muita gente está se mudando de Paris para Bordeaux, já que o TGV programado para 2018 vai aproximar a cidade de Paris que ficará então a mais ou menos 2 horas de distância. Isso faz com que o preço da moradia de Bordeaux que é bem barata em relação a Paris esteja explodindo e que as pessoas que estavam morando nestas echoppes estão sendo expulsadas, e vão morar nas periferias de Bordeaux mais baratas, contribuindo assim a gentrificaçao da cidade, em graus bem inferiores a Paris mas assim mesmo de maneira crescente. Uma vez que fiquem renovadas com gosto pelos arquitetos o valor de aluguel cresce e muito. Veja o link : http://architectes-bordeaux.info/2015/11/30/les-10-plus-belles-renovations-dechoppes-bordelaises/

http://bordeaux-echoppes.com

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