Saldanha, Piber e Boff : 3 anos depois do seu « Je ne suis pas charlie »

Isso aconteceu bem antes dos atentados de 14 novembro 2015 (Bataclan, e vizinhanças  em Paris, stade de France em Saint Denis, etc), Nice (julho 2016) Marseille (1 outubro 2017), Saint-Etienne de Rouvray (26 julho 2017) , Champs Elysées (duas vezes), Saint-Quentin Follavier, Dammartin-en-Goele, etc .

Isso aconteceu dia 12 de janeiro de 2015, ha três anos atras, logo depois dos atentados de Charlie Hebdo em Paris dia 7 de janeiro, da morte da policial caribenha em Montrouge no dia 8 de janeiro e dos mortos do hiper mercado cacher em Paris porte de Vincennes no dia 9 de janeiro 2015.

Isso aconteceu no dia 12 de janeiro de 2015 quando 44 chefes de Estado vieram desfilar com a multidão e dizer je suis charlie, Nesse dia  li na internet um artigo no blog do Leonardo Boff datado do dia 9 de janeiro  :

Para se entender o terrismo contra o Charlie Hebbo de Paris

09/01/2015

        Uma coisa é se indignar, com toda razão, contra o ato terrorisa que dizimou os melhores chargistas franceses. Trata-se de ato abominável e criminoso, impossível de ser apoiado por quem quer que seja.

Outra coisa é procurar analiticamente entender porque tais eventos terroristas acontecem. Eles não caem do céu azul. Atrás deles há um céiu escuro, feito de histórias trágicas, matanças massivas, humilhações e discriminações, quando não, de verdadeiras guerras preventivas que sacrificaram vidas de milhares e milhares de pessoas.

Nisso os USA e em geral o Ocidente são os primeiros. Na França vivem cerca de cinco milhões de muçulmanos, a maioria nas periferias em condições precárias. São altamente discriminados a ponto de surgir uma verdadeira islamofobia.

Logo após o atentado aos escritórios do Charlie Hebdo, uma mesquita foi atacada com tiros, um restaurante muçulmano foi incendiado e uma casa de oração islâmica foi atingida também por tiros.

Que signfica isso? O mesmo espírito que provocou a tragédia contra os chargistas, está igualmente presente nesses franceses que cometeram atos violentos às instituições islâmicas. Se Hannah Arendt estivesse viva, ela que acompanhou todo o julgamento do criminoso nazista Eichmann, faria semelhante comentário, denunciando este espírito vingativo.

Trata-se de superar o espírito de vingança e de renunciar à estratégia de enfrentar a violência com mais violência. Ela cria uma espiral de violência interminável, fazendo vítimas sem conta, a maioria delas inocentes.

Paradigmático foi o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos. A reação do Presidente Bush foi declarar a “guerra infinita” contra o terror; instituir o “ato patriótico” que viola direitos fundamentais ao permitir prender, sequestrar e submeter a afogamentos a suspeitos; criar 17 agências de segurança em todo o país e começar a espionar todo mundo no mundo inteiro, além de submeter terroristas e suspeitos em Guantánamo a condições desumanas e a torturas.

O que os USA e aliados ocidentais fizeram no Iraque foi uma guerra preventiva com uma mortandade de civis incontável. Se no Iraque houvesse somente ampla plantação de frutas e cítricos, nada disso ocorreria. Mas lá há muitas reservas de petróleo, sangue do sistema mundial de produção.

Tal violência barbárica, porque destruíu os monumentos de uma das mais antigas civilizações da humanidade, deixou um rastro de raiva, de ódio e de vontade de vingança.

A partir deste transfundo, se entende que o atentado abominável em Paris é resultado desta violência primeira e não causa originária. O efeito deste atentado é instalar o medo em toda a França e em geral na Europa. Esse efeito é visado pelo terrorismo: ocupar as mentes das pessoas e mantê-las reféns do medo.

O significado principal do terroismo não é ocupar territórios, como o fizeram os ocidentais no Afeganistão e no Iraque, mas ocupar as mentes. Essa é sua vitória sinistra.

A profecia do autor intelectual dos atentados de 11 de setembro, o então ainda não assassinado Osama Bin Laden, feita no dia  8 de outubro de 2001, infelizmente, se realizou: “Os EUA nunca mais terão segurança, nunca mais terão paz”.

Ocupar as mentes das pessoas, mantê-las desestabilizadas emocionalmente, obrigá-las a desconfiar de qualquer gesto ou de pessoas estranhas, eis o que o terrorismo almeja e nisso reside sua essência. Para alcançar seu objetivo de dominação das mentes, o terrorismo persegue a seguinte estratégia:

(1) os atos têm de ser  espetaculares, caso contrário, não causam comoção generalizada;

(2) os atos, apesar de odiados, devem provocar admiração pela sagacidade empregada;

(3) os atos devem sugerir que foram minuciosamente preparados;

(4) os atos devem ser imprevistos para darem a impressão de serem incontroláveis;

(5) os atos devem ficar no anonimato dos autores (usar máscaras) porque quanto mais suspeitos, maior o medo;

(6) os atos devem provocar permanente medo;

(7) os atos devem distorcer a percepção da realidade: qualquer coisa diferente pode configurar o terror. Basta ver alguns rolezinhos entrando nos shoppings e já se projeta a imagem de um assaltante potencial.

Formalizemos um conceito do terrorismo: é toda  violência espetacular, praticada com o propósito de ocupar as mentes com  medo e pavor.         

O importante não é a violência em si,  mas seu caráter espetacular, capaz de dominar as mentes de todos. Um dos efeitos mais lamentáveis do terrorismo foi ter suscitado o Estado terrorista que são hoje os EUA. Noam Chomsky cita um funcionário dos órgãos de segurança norte-americano que confessou: “Os USA são um Estado terrorista e nos orgulhamos disso”.

Oxalá não predomine no mundo, especialmente, no Ocidente este espírito. Aí sim, iremos ao encontro do pior. Leonardo

Boff é colunista do JBonline e escreveu: Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz,  Vozes,  Petrópolis 2009.

E no dia seguinte repassou um artigo cuja autoria era o padre antonio piber, téologo e historiador

Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie: Pe. Antonio Piber

10/01/2015
Houve um esquecimento de minha parte: não citei o nome do artigo publicado abaixo: Pe.Antonio Piber, material que recebi via internet (quatremains). Peço desculpas aos leitores/as.

Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos, ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a este ato criminoso. Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassinato. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. Publico aqui um texto de um padre, Antonio Piber, que é teóloogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: Lboff

***************************

Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…

Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…

A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.

Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…
Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porque? Para que?

Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pessoas e duas medidas caos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.

Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…

E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Mas piada são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus…
Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie.

 

Finalmente dia 10 ele mandou a versão original do Saldanha so que o link para ler o original no site do autor foi dado errado (deu emtomdemimi.blogspot.com em vez de emtomdemimimi.blogspot.com

Je ne suis pas Charlie: El Rafo Saldanha, verdadeiro autor

10/01/2015

Nos envios anteriores este artigo saiu sem o nome do autor, por distração minha. Vinha num e-mail quatremains@uol.com.br e era atribuido ao Pe. Antonio Piber. Posteriormente coloquei o nome do Pe. Antonio Piber. Por fim vim a saber que o verdadeiro autor é o jornalista Rafo Saldanha. Encontra-se no seu blog:emtomdemimi.blogspot.com.br/2015/01 je-ne-suis-pas-charlie.html  Aqui vai o texto original sem os acréscimos feitos pelo Pe. Antonio Piber.  Havia duas charges do Charlie Hebdo que não puderam aparecer neste meu texto. Mas podem ser vistas no referido blog. Peço a compreensão de todos: Lboff

El Rafo Saldanha

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie

Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.

Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.

A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…

O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.

Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu…

De volta à Charlie Hebdo: Ontém vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de“gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.

O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge:

Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerâmcia (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.

Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…

E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.

No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.

Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.

“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.

“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.

Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comediante Renato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque nOs Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso.

Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.

Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! – nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.

Postado por El Rafo Saldaña às 09:20

 

so depois eu tive a possibiliade de ler o artigo original o saldanha

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie

Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.
Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.
Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu…
De volta à Charlie Hebdo: Ontém vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de“gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge:
Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerâmcia (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.
No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.
“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.
Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comediante Renato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque nOs Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso.
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! – nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).

Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas do Charlie Hebdo ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.

Dia 12 de janeiro de 2015 eu escrevia isso no facebook em resposta ao artigo do Boff :

Quando eu vejo o #JeNeSuisPasCharlie de Leonardo Boff, ou melhor o #EuNaoSouCharlie dele e alguns amigos meus brasileiros do PT sobre Charlie Hebdo, eu vejo claramente porque eles não conseguem ver o posicionamento de Charlie Hebdo. Quando você vive num estado religioso como o Brasil fica quase impossivel entender o que é um estado laico. A grande parte daqueles que falam do assunto nem sequer um numero de Charlie Hebdo leu, ou leu apenas a primeira pagina. Com certeza nao leram Hara Kiri que precedou Charlie Hebdo. Charlie Hebdo é um jornal que parece uma vez por semana sempre na quarta feira. O ultimo leitorado dele era 20000 pessoas. Ele no funcionava com propaganda para poder dizer o que bem entendia. Era, e ainda é, porque ainda nao morreu, um jornal irreverente, anticlerical, livre, não comprometido com nada a nao ser a laicidade. Criticava o estado, a direita, a esquerda. Vamos dizer que era um jornal mais ou menos com tendencia anarquista, aqui na França a gente fala anarchisant. Este jornal foi minha biblia e Reiser, Siné, Delfeil deTon, Professeur Choron, Cavanna, Wolinski, Cabu fazem parte dos meus filosofos. Tem também na França o Canard Enchainé e Minute que funcionam sobre a satira constante so que esses estão sociologicamente marcados a esquerda ou a direita. Como podem se dar conta o Charlie Hebdo foi hospedado por Libération logo depois de Charlie Hebdo ter perdido 12 dos seus colaboradores. Por outra parte muitos dos chargistas de Charlie Hebdo trabalhavam também com l’Humanité, o jornal do PC, Partido Communista Francês e outros médias como l’Echo des Savanes, Fluide Glacial, Pilote, Marianne, l’Obs, etc.. Para entender o fenomeno Charlie Hebdo tem que entender isso. Eles fazem parte de uma certa ideia da França, rebelde, iconoclasta, irreverente e anticlerical. Foi essa França « frondeuse » e republicana que milhões de franceses foram celebrar esses ultimos dias. A liberdade de emprensa no ãé negociavel. A liberdade de pensamento não é negociavel. E quando tem um problema de deontologia então tem a justiça. Não existe na lei francesa um crime que se chamaria de blasphemia. Pode dizer o que você quiser na França sobre os padres e bispos e religiosos, ninguem vai te colocar na cadeia e pior ainda te executar. Isso acontecia sim no seculo 16 e 17 na epoca das guerras de religioes que assolaram a França e fez que milhares de protestantes da religiao reformada deixassem a França para achar refugio na Suiça, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos. Lembrem-se. Tentaram até fundar no Brasil a França Antartica ao largo de Rio de Janeiro. Os tempos da Inquisição estao longiquos. Ontem no canal de teve publico France 2 houve um programa de mais de duas horas em homenagem a Charlie Hebdo. Seria bom o senhor Boff e seus seguidores assistirem esse show Soirée Je Suis Charlie ao vivo ou pelo menos tentar recuperar esse na internet para entender o que quer dizer laicité. Tem neles cantores, humoristas, chargistas, jornalistas, escritores, politicos e dentro dos espectadores tem o ministro da cultura. Acho impossivel ver um programa desses na teve brasileira. Adorei. Ri. Chorei. Fiquei orgulhoso de ser francês. Pelo menos na França a Inquisição não tem mais vez. Pelo visto o senhor Boff gostaria que as regras da Santa Inquisiçoã fossem reestabelecidas. Na França não tem cruz no tribunal e nem na escola. Todo o cancionario tradicional francês tem chansons à boire onde tem padres safados lubricos, e religiosas gravidas e gulosas. Isso é a tradição. Que eu saiba ninguem foi morto na França nesses ultimos anos por causa do fanatismo religioso dos catolicos integristas. O islam foi naturalmente criticado em Charlie Hebdo e no momento das caricaturas de Mahomê, em nome do direito de expressão foram reproduzidas na França apesar de ser condenadas pela inteligentsia francesa e a maioria dos jornais inclusive le Canard Enchainé et le Monde em nome da paz social. Os jornalistas foram taxados de racistas, antimuçulmanos etc. Nao é então esquisito que seu Boff que deve ter uma guerra de atraso entre agora no vagão do Je ne suis pas Charlie que é o vagão seguido por Marine Le Pen do Front National e de Dieudonné, entre outros. A sociedade francesa é longe de ser perfeita mas nesses ultimos dias houve um SURSAUT. A França se ergueu e deu um basta. Agora vai ser guerra contra o terrorismo. Amanha pode ser um dia differente. Mas o grito da liberdade foi dado. Quem sabe na proxima guerra, se deus quiser, o senhor Boff entendera porque seu JeNeSuisPasCharlie ficara pra mim com a primeira burrice que eu li em 2015 mas en nome da liberdade de expressão eu lhe dou todo direito de decidir o que é bom pra França ja que entendi que ele decidiu que Dilma era boa para o Brasil.

Depois do artigo de Boff revelando o verdadeiro autor escrevi o seguinte :

Não conheço o senhor Saldanha nem de Eva nem de Adão nem de Maomê. Mas tudo que eu falei me dirigindo para o senhor Boff lhe esta dirigido por direito. Como o proprio fala, ele não sabia da existência de Charlie Hebdo antes de 2006. Pronto ! E mesmo assim falou: é uma versão francesa do Tupiniquim Pasquim. Poderia até ter pesquisado mais na internet e visto que antes de Pasquim e Hara Kiri que ele nem menciona, tinha o americano MAD. Quer dizer que o cara ignora mais de 30 anos de uma revista, lê duas charges e pronto ja sabe tudo. Nenhum francês são de espirito diria que Charlie Hebdo é um jornal de direita como o senhor Saldanha insinua. Anarquista, provavelmente. Ontem Christophe Aleveque cantou ao vivo no program no canal 2 France 2 em rede nacional esse himno, Bela ciao ciao ciao mas provavelmente para o senhor Saldanha tudo que não convem a seu paladar é de direita. O senhor Saldanha esquece ou talvez não sabia que o jornal Hara Kiri foi proibido e recomeçou com novas bases como Charlie Hebdo. O senhor gostaria que a liberdade de imprensa fosse vigiada. Umas palavras não poderiam ser ditas. Imagino palavras como pica, buçeta, foder mas aqui na frança não tem problema nenhum. Veja o programa de ontem Soirée Charlie Hebdo. Continuaram com novas charges anti-muçulmanas, anti-catolicas, antiparaiso e inferno. E houve gente para discutir o problema que interessa. O problema que interessa não é resolver problemas comunitarios. O problema é resolver o fato que cada ano 180000 jovens saem do ensino medio sem diploma e sem qualificaçao e que estes jovens vão entrar na marginalidade e depois no integrismo. Tem tambem inumeras situações de destruturação familial. Não desculpo o terrorista nunca. Não tem desculpa social, historica certa. A situaçao igual não todo mundo vira terrorista como a situação iguial nem todo padre vira fazendo apologia da teologia da libertação….Houveram 18000 tweets para fazer apologia do terrorismo e apoiar os assassinos que mataram os jornalistas. Nas escolas houve alunos que não quiseram nem fazer um minuto de silêncio. Vai ter que resolver esses problemas. Muitos jovens muçulmanos transpoem na França o conflito que tem entre Israel e a Palestina. Muitos judeus querem agora se instalar em Israel por causa das brigas eternas na França e na perigosa radicalizaçao de alguns jovens. A França tem manchas escuras no seu passado devido ao colonialismo mas o comunitarismo vitimario esta ficando demais. Afinal a descolonizacao data dos anos 60. Não se pode cobrar a França eternamente por todos os males. Seria como se o Brasil a cada instante chamasse o Portugal como responsavel da corrupçao endêmica no pais. Antigamente a extrema direita era antisemita agora muitos jovens nascidos da imigração muçulmana não escondem mais seu antisemitismo. Veja o fenomeno Dieudonné. O importante é insistir sobre nossos valores de democracia laica que não são os valores de democracia religiosa. Que isso fique claro para todos. Na França a religião maxima é a laicidade. #JeSuisLaic #JeSuisCharlie e quem nao gosta disso tem muita escolha no mundo pra achar um lugar onde a religião fique mais importante do que o Estado. Aqui funciona assim. Como no Brasil funciona de outra maneira. Outra ultima coisa; na França tem muita mistura. Ser muçulmano as vezes é apenas fazer o Ramadam uma vez por ano como ser catolico na França é apenas ir talvez uma vez por ano na igreja e batizar seus filhos e fazer uma ceremonia funebre na igreja. Ser muçulmano pode ser apenas não comer carne de porco, gostar de cuscus, carneiro e viajar de vez em quando pra La Meca ou passar duas semanas no bled. Não existe uma pratica repertoriada como muçulmano moderado como nao tem uma categoiria de catolico moderado. Ou é ou nao é, ou é culturamente. Eu pessoalmente sou culturamente pela educação que eu recebi dos meus pais , catolico. Mas inteletualmente sou ateu. Minha vida me levou a conhecer o protestantismo, o espiritismo e o candomblé depois de morar na Bahia. Adorei esse sincretismo. Mas antes de tudo sou humano e não religioso. Laico e republicano até a morte ! Mas sempre com curiosidade pra me aproximar dos outros….

Hoje dia 12 de janeiro 2018 eu tenho ainfa na mente essa musica Bella Ciao, cantada por Christophe Alévèque 3 anos atras !

Una mattina mi sono svegliato,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Una mattina mi sono svegliato,
e ho trovato l’invasor.

O partigiano, portami via,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
O partigiano, portami via,
ché mi sento di morir.

E se io muoio da partigiano,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E se io muoio da partigiano,
tu mi devi seppellir.

E seppellire lassù in montagna,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
E seppellire lassù in montagna,
sotto l’ombra di un bel fior.

Tutte le genti che passeranno,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
Tutte le genti che passeranno,
Mi diranno «Che bel fior!»
«È questo il fiore del partigiano»,
o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!
«È questo il fiore del partigiano, morto per la libertà!»

Hoje 12 de janeiro 2018, 3 anos depois, muita agua ja correu, muito sangue ja foi derramada : depois do sangue dos jornalistas, do policial houve sangue de gente comendo ou bebericando ou apenas tomando um cafezinho em terraças de bar ou restaurante, gente assistindo um show musical, gente festejando com a familia dia 14 de julho, gente indo assistir a um jogo de futebol, um padre na sua igreja, uma mulher no seu carro, gente comprando produtos kacher num mercadinho , outra policial caribenha, dois policiais dentro da sua casa…

A lista é extensa, devo ter esquecido alguns, a violencia terrorista se banaliza como a violencia urbana se banalizou no Brazil. Eu entendo que o Brazil até agora não foi vitima de terrorista islamista e é muito facil pra quem ta longe do olho do  furacão inventar soluções para tapar o vento. Concordo que a situação é explosiva. Hoje mesmo 3 soldados franceses foram feridos no Mali na operação Barkane que tenta acabar com o terrorismo nesta parte a Africa com a ajuda de 5 paises africanos.

Não quero dizer que tudo esta certo mais ando meio desconfiado, não vejo nenhuma solução sendo encontrada num futuro sejaz proximo ou longinquo entre Israel e Palestina, não entrevejo nenhuma paz chegando mesmo na Siria, no Iraque, no Afganistão. Enquanto os regimes atraves o mundo ficarem corruptos e mais preocupados com o bem estar dos seus bolsos do que o do seus conterraneos, acho, sim, nunca a coisa vai melhorar e que a barbaridade nunca vai acabar. Sim, ando meio desconfiado. Uma pesquisa recente mostrou que apenas 60 por cento dos franceses continuam acreditando e gritando « Je suis Charlie ». Não tem união nacional, não tem consenso nenhum  na França como na Europa como nos Estados Unidos sobre o problema da imigração e isso leva a todos os extremes !

Pelo menos constatei que os senhores Boff, Saldanha e Piber aquietaram o faixo ! não tem agitado mais suas bandeiras « je ne suis pas charlie » depois de 12 de janeiro de 2015. Seria bom saber se seu pensamento tem evoluido, se não tem algum arrependimento. Vi que o Saldanha tinha 33 anos na época e o Boff 77. Não tem idade certa para amadurecer. Vi também que o Saldanha se dizia professor enquanto o Boff falava que era jornalista. Sempre bom rever suas fontes ! E finalmente ja que Saldanha é Vascaino, torcedor fanatico do Vasco, e que Boff gosta também de futebol como ele afirmou neste artigo sobre o futebol como religião secular eu cheguei a pensar que ambos poderiam adorar South Park, este desenho animado para adultos que faz sucesso não somente nos Estados Unidos.

nabzlpijhbomjsjxkzvz

Poderiam até ler esta resenha de Julian Sancton que foi publicada dia 15 de janeiro 2015. Acho sempre bom ponderar, ver outros focos e não ficar numa visão nacional da coisa. Quem sabe ! este Stick of Truth pode até ajudar !

le guru, celui qui dissipe l’obscurité

emblem-dark

L’Inde a depuis le 9 novembre 2014 un ministère appelé AYUSH : Minister of Ayurveda, Yoga and Naturopathy, Unani, Siddha and Homeopathy. Pour être donc précis ce que l’on a coutume de raccourcir  depuis en Occident sous le vocable de  ministère du yoga est aussi en charge de l’ayurved, de l’unani et du siddha, en d’autres mots, les médecines traditionnelles indiennes. L’homéopathie et la naturopathie font aussi partie de ses prérogatives.

Hier matin j’ai participé à une matinée d’initiation au yoga organisée à Kani Keli, Mayotte. Il y avait douze participants. Le yoga m’a toujours rebuté à cause des postures, et plus particulièrement parce qu’il faut souvent s’asseoir en tailleur, performance que je n’ai jamais réussi à faire. M’asseoir en mode tailleur a toujours été pénible pour moi depuis les cours de gymnastique au lycée Lakanal à la fin des années 60. J’ai toujours admiré secrètement ceux qui arrivaient ainsi à caser leurs genoux alors que moi cela n’a jamais été une position de repos mais plutôt un calvaire. Je sais qu’il y a des stratagèmes pour résoudre mon incapacité et m’asseoir en toute quiétude. En vain  ai-je essayé ! J’en ai déduit que j’avais de gros genoux, de grosses cuisses et que donc physiquement j’étais limité pour le yoga et bien mieux charpenté pour la danse.

En plus le yoga, je l’assimile à la religion, le bouddhisme, l’hindouisme, le brahmanisme, j’ai entendu parler de certains dieux, je sais que ce sont des religions polythéistes avec tout un panthéon de dieux et de déesses, j’ai entendu parler de Shiva, de Brahma, de Krishna, de Rama mais j’ai du mal à appréhender tout le contenu car je ne vis pas en Inde.   Mais après avoir vécu quinze ans au Brésil où j’ai pu peu ou prou comprendre l’architecture syncrétique brésilienne et l’articulation entre orixas (esprits) et autres croyances monothéistes  je ne crois pas que j’aurai du mal à cerner les particularités des religions en place. Ce que j’en sais c’est ce que j’ai pu saisir par ce que j’ai pu en voir à travers la pratique d’amis à travers le temps: la pratique de la méditation, les parfums d’encens, un petit autel pour les ancêtres, une sorte d’ascèse, la solitude, les mantras qu’on répète sans cesse, les soutras qui sont des aphorismes. J’ai fréquenté aussi il y a fort longtemps à Amsterdam Hare Krishna et leurs robes orange, leurs cranes rasés, leurs chants psalmodiés, le son des cymbales, leurs nourritures végétariennes. il y a aussi pèle-mêle l’ayurveda, la médecine indienne traditionnelle qui divise notre corps en chakras. Il y a le Gange ! Il y a l’amour tantrique, l’amour lent qui confine l’acte sexuel total, qui unit le tout aux parties, au divin. il y a le rajah, le maharajah, les castes supérieures, les castes inférieures, les Intouchables, les devadasi, les prostituées des dieux, Calcutta, New Delhi et Ravi Shankar et son sitar ! Il ya le Mahatma Gandhi et sa non violence. Il y a l’oeil de Shiva et le kamasutra. Il y a le nirvana, il y a le parinirvana ! Il ya le Maharathoustra ! Et enfin last but not least il y a le colombo !

Dans le flot des images que secrète en moi le mot yoga il y a aussi à tort ou à raison le fakir qui marche sur les clous ou sur les braises chaudes, le bonze chinois et son gong, mais il y a surtout l’idée qu’il n’y a pas de yoga sans guru, il n’y a pas de guru sans disciple. Il n »y a pas de disciple si celui-ci ne se rend pas à son guru, s’il ne lâche pas prise, s’il ne s’abandonne pas à l’obéissance condition sine qua non de l’initiation. Et ainsi va le monde du yoga depuis 7000 ans.

J’ai déjà participé à une séance de yoga sur un week-end entier avec une amie il y a de cela plus de trente ans.

J’arrivais donc avec un passé, un passif à mon actif en ce treize janvier de l’an de grâce deux mille dix-huit!

Sauf que voila. Cette séance yoga était nommée yoga sur chaise. Je ne pouvais pas me débiner, comme d’habitude. En plus le prix 10 € pour environ 3 heures d’activité était séduisant. D’autant plus que je m’ennuie fermement à Mamoudzou le samedi alors j’y suis allé puisqu’en plus j’avais un chauffeur, S., collègue de travail, et elle férue de yoga et de sports de combats.

Je me présente à l’heure dite avec ma bedaine conscient que je serai le ventre le plus proéminent de l’assemblée. Au départ il n’y a qu’un homme, C. prof de yoga lui aussi,  probablement doté de tablettes de chocolat à faire mourir d’envie un comateux. Mais heureusement qu’arrive au dernier moment celui qu’on appelle Monsieur Anicet. C’est un mahorais. Il invite la conférencière à venir donner des cours dans sa madrassa. Sa bedaine même si elle est un peu moins proéminente que la mienne me permet de mieux respirer ! Ouf ! L’union fait la force. Je le lui dis. Il me dit relativiser son état actuel car il n’a pas nagé récemment mais qu’il suffit qu’il nage une heure pour retrouver son corps d’athlète. Ah encore un autre qui me tue à petit feu, car moi je ne sais pas nager. Ce monde est injuste. Ah si le yoga pouvait se faire dans une piscine et qu’on pouvait en ressortir en nageant au bout d’une heure ou deux, je ferais tous les sacrifices du monde. Même au bout de six mois, je tenterais l’expérience. Qui ne tente rien n’a rien ! ! J’accepterais même, ohmygosh, de devenir le disciple d’un guru !

Pour commencer je vous présente la prof de yoga, notre guru, notre yogini du jour, A., d’origine bordelaise, prof d’espagnol de son état mais aussi prof de fle, comme moi-même et désormais chargée de mission au CASNAV ( en charge de la scolarisation de ceux qu’on appelle sobrement les élèves nouveaux arrivants non francophones mais qu’ici on appelle les enfants de migrants quand on est gentil et les enfants voisins quand on est méchant). A. est arrivée le 10 août à Mayotte me dira-t- elle plus tard ! Moi le 11. Elle a vécu et enseigné entre autres pays en Inde, à Maurice, à Moroni (aux Comores). Elle est jeune, mince, séduisante. Je pense que sa photo sur Facebook ne lui fait pas honneur. Peut-être n’est-elle pas photogénique ?! La lumière ne se commande pas ! Ou peut-être veut-elle cacher la beauté qui l’habite ! Qui sait ! Celle qui dissipe l’obscurité de l’autre perd peut être un peu de sa lumière dans le processus !

A. nous demande de faire un brainstorming sur le mot yoga, elle utilise d’ailleurs un joli mot que je vois pour la première fois pour décrire cette activité qu’on a coutume d’appeler remue-méninges, elle nous propose de participer à une pluie d’idées, joli mot ! Qu’ évoque en nous le mot yoga ? non sans nous avoir donné tout d’abord sa définition du yoga selon Patanjali: un arrêt des modifications de l’esprit. Certains évoquent la méditation, d’autres une philosophie de vie, un autre, un mahorais, le seul du groupe la prière, une autre la concentration, une autre les postures; une autre une paix intérieure Moi je ne dis rien car j’aime être exhaustif et je voudrais dire tout ce que je viens de dire sans me censurer. Mais une idée me vient suscitée par sa définition sommaire : je fais du yoga quand je m’endors, je fais du yoga quand j’écris, quand je me concentre et que je laisse aller ma plume sur le clavier de mon ordinateur. Je suis relâché, mes doigts sont souples, mon dos est droit, mes fesses bien calées sur ma chaise et je suis nu ! Je fais du yoga quand je me réveille en pleine nuit mû par une étrange érection dont je ne connais la cause : le besoin d’aimer ou le besoin de me vider. Je me tais, gardons par devers nous nos étranges pensées.

Puis nous abordons via le rétroprojecteur les 8 piliers du yoga selon le maharishi Patanjali. The eight limbs of yoga. Pendant qu’elle explique les subtilités de ces piliers moi je m’attarde sur la traduction de ce limbs. Limb, pilier ? Moi je l’aurais traduit comme branche ou comme membre. Mais peu importe ! Qui est donc ce Patanjali ? Il y aurait donc d’autres nomenclatures selon d’autres ? Pourquoi celle-là et pas une autre ?

Bref passons ! Il y aurait deux représentations du yoga, l’une en forme d’arbre avec un tronc et des branches et une autre en forme d’échelle. Elle propose la lecture en forme d’échelle.

8-limbs-of-yoga-full

Un système d’échelle où l’on démarre par le yama et le niyama, l’asana et le pranayama pour arriver au bout d’une certaine pratique au dhyana  (état de méditation) et au samadhi (état d’unicité, d’équilibre) qu’elle nomme état d’extase et que moi j’assimile au parinirvana. Moi j’entends par limbs plus quelque chose comme ce qui suit : une confluence.

yoga

Après une heure de ce mini crash course en yoga c’est l’heure de la pause. Les chaises étaient hyper confortables, les ventilateurs de plafond étaient fort reposants. C’est pour moi l’heure du sacro saint pipi. Je traverse la maison chargée d’encens et de lumière savamment tamisée ! Le thé est servi avec des petits gateaux, de l’eau, des jus et deux plaquettes de chocolat noir Kohler. Certains sont partis fumer. Moi je plonge et ouvre la première tablette et hop 3 petits carrés de chocolat sont engloutis. Délicieux. Je ne me souviens pas avoir acheté une tablette de chocolat ces deux dernières années. Mais Kohler a ravivé en moi quelque chose. Un appel yogique, peut-être. Et hop 5 minutes après trois autres petits carrés pour confirmer mes premières impressions. Ce chocolat noir a un goût de chocolat au lait. Non, c’est un appel venu du fin fond de l’arc antillais comme le confirmera plus tard le site de Nestlé Antilles Guyane. Le chocolat Kohler est fabriqué spécialement pour correspondre au goût des Antillo-Guyanais tout comme les tablettes Red Label de Nestlé. Entre temps les autres, probablement éblouis par mes yeux exorbités au bord de l’extase, ont commencé à goûter eux aussi. Eh oui manger du chocolat c’est yogique aussi ! J’ai même un instant fermé les yeux et dérivé en canot dans une pluie de saveurs oubliées.

Après un petit quart d’heure vient l’heure de la pratique du yoga sur chaise. Nous apprenons d’abord à marcher, lentement en appuyant bien fort sur les talons. Puis nous devons nous ancrer par notre regard ou notre sourire dans le regard de l’autre. Puis nous apprenons les trois etages de la respiration yogique : abdominale ou diaphragmatique, costale ou thoracique et claviculaire ou haute. Une douce voix nous berce rythmiquement:

Inspirez, expirez ! Doucement ! 5 fois !

Nous faisons des postures debout puis sur la chaise, les bras joints au-dessus de la tête, étirons les cous, les jambes, les pieds, les orteils, les doigts, les poignets, les bras, les épaules, en haut en bas, à droite à gauche. Les hanches, le bassin ! eh mais je fais tout ça moi en dansant. Je fais du yoga, aussi, chaque fois que je danse ! Je vous l’ai déjà dit, docteur, j’ai la maladie du bouger bouger

Mais voilà qu’il faut maintenant plier un genou et poser son pied doigt sur la cuisse gauche ! Je fais l’effort surhumain pour moi ! il n’y a que monsieur Be-Bop, de son vrai nom Stéphane Germaneau qui ne plie pas ses genoux ! il reste un peu à l’écart. Je lui donne bien ses 75 ans ! Une célébrité sur l’île, propriétaire de la maison qui nous accueille, ex artisan, spécialiste de la sculpture sur bois flotté de noix de coco  et désormais animateur thérapeutique sur Kani-Kéli, Mayotte, une sorte de vieux guru à longue barbe blanche ou poivrée. Il s’abstient. Il est malade m’a-t-on dit. Il doit voir vers midi un médecin.

Mais plier ce genou et inspirer expirer en même temps tout en levant les bras en arc de cercle. Euh ! Je passe mon tour. On change de jambe et ça passe mieux.

Puis on ferme les yeux et c’est la fin.

Vite j’ouvre la deuxième tablette de chocolat et saute sur trois nouveaux carrés salvateurs . Eh oui il faut dans le yoga s’aimer se donner de la valeur et en prenant ces carrés de chocolat je ne fais que ça. Laisser moi m’aimer ! Merci Kohler, merci Nestlé ! c’est trop bon ce yoga-là !

J’entends une femme enceinte. Je l’avais oubliée avec son ventre énorme. Je n’étais donc pas le plus gros en fait. Elle dit : j’ai senti le bébé bouger en plein yoga.

Plus tôt j’ai entendu Be-bop lui  dire que les hommes et les femmes réagissaient différemment au yoga. Je me pose la question. Je n’avais pas, tout entier dans ma jouissance tribale du chocolat, fait la relation entre son ventre, elle et la future progéniture qu’elle portait. Elle a un regard vraiment angélique. Elle est presque transfigurée. Mais il faut dire qu’elle est arrivée en retard et transfigurée. Parfois quand elle souffle en inspirations expirations je me rends compte qu’elle pourrait accoucher ici-même. Qu’à cela ne tienne il y a une infirmière sur la place. Mais la dite infirmière en pédiatrie  a l’air en fichu état. Je saurai plus tard qu’elle a une indigestion alimentaire due aux brochettes de viande qu’elle a ingurgitées la veille et qu’elle vomira plus tard à grosses gorgées sur la route aux abords d’un énorme baobab entre Kani-Kéli et Mamoudzou. Comme quoi brochettes, covoiturage et yoga ne font pas bon ménage. A sa décharge elle n’est sur le territoire que depuis 3 semaines.

S., ma collègue de travail, s’approche de moi et me dit quelque chose comme:

Jean-Marie tu sais le yama et le niyama tu pratiques déjà au quotidien dans tes relations avec les autres profs et avec les jeunes. Tu as cette bienveillance naturelle.

Moi, je lui répondrais volontiers que c’est au contact des autres que j’ai acquis au cours du temps cette bienveillance par rapport aux autres et que je travaille encore cette bienveillance par rapport à moi-même, que j’ai encore du mal à m’autoriser à être moi sans peur sans haine sans reproche même si une grande partie du chemin me semble accompli. Mais quand elle me dit cela je me sens tout à coup l’étoffe d’un guru ! Je voudrais lui dire qu’elle a en elle une colère qui doit s’apaiser pour qu’elle puisse se poser. Elle pratique la boxe et le yoga ! Pour exorciser un trop plein d’énergie, de violence ! Elle se met en colère pour un rien ! Elle aime la discipline, le respect, elle est aussi mariée à un militaire de haut rang dont elle vit séparée géographiquement, comme elle vit séparée géographiquement de ses deux filles et de ses parents. Parfois je me dis qu’elle peut exploser en plein vol et je l’encourage à prendre de la distance ! Sois zen, lui ai-je déjà dit plus d’une centaine de fois en 5 mois que nous nous connaissons mais chassez le naturel il revient au galop. Je lui souhaite de trouver un bon guru qui l’aide à dissiper l’obscurité qui l’a envahie.

Eh oui je suis zen sans avoir jamais pratiqué zen zen ! Cette zénitude attitude me conduit souvent à dire pour couper court à la conversation : faites comme vous voulez, moi je m’en fous ! Cela en énerve plus d’un ! Mes prises de position iconoclastes sur l’amour, le destin, la mort, la famille, la fidélité, l’argent, la voiture, la politique, la nourriture, la religion, ma façon même de vivre, de manger, de boire, de m’habiller interrogent, pour ne pas dire dérangent.

Moi mon guru c’est le cyclone, c’est lui qui m’a fait swami,  éveillé, m’éveille et m’éveillera. Mon karma c’est être pyrobate, de marcher sur les charbons ardents de la vie et je n’ai qu’un mantra : un oeil ouvert au coin duquel iraient et viendraient des fourmis volantes chargées de soutras aussi volatiles que l’alizé.

Il n’en est pas moins vrai, même si j’ai l’air de plaisanter, je sais je suis taquin, que j’ai pu observer que dans une classe d’enfants non francophones non scolarisés nouvellement arrivés sur le territoire à Mayotte  les bienfaits du yoga sont incomparables et je m’intéresse à tout ce que la Recherche sur le yoga dans l’éducation proposera et a déjà proposé depuis 40 ans, quitte à me l’appliquer à moi-même en m’inspirant de ce qui suit :

RYE_Semaine2018_KitPedagogique_2

et si d’aventure vous avez vent de quelque chose autour du yoga sur Mayotte qui me fasse nager en six mois, faites-le moi savoir illico presto ! Namasté !

 

 

 

Mets-toi en position Matta Swagg vay vay vay

Dans le genre dancehall afro beat coupé décalé ndombolo (à vous de vous débrouiller avec le concept musical, pour moi qui suis atteint irrémédiablement de la maladie orpheline  du bouger bouger,  pour laquelle aucun vaccin n’a encore été découvert, pour moi qui confonds allègrement tout avec son contraire, déhanchons-nous, déhanchons-nous il en restera toujours quelque chose, non) il y a deux titres qui font fureur à l’heure actuelle où je vous parle actuellement parmi les jeunes ados de Mayotte. Tout d’abord Mets-toi en position vay de DJ Leska featuring KLGS et VGG qui donne lieu à des scènes d’hystérie et  de danse sexuelle explicite  ( « y aura pas de sentiments que des centimètres ») et ensuite Matta Swagg de l’ivoirien Serge Beynaud (« les gens les bébés sont calés ce soir on est frais on est validés Zanotti Zanotti Gucci Versace les sapes de qualité matin midi soir « )

 https://youtu.be/Oq1n8fUxQZc

les gens les bébés sont calés ce soir on est frais on est validés zanotti zanotti gucci Versace les sapes de qualité matin midi soir ont bara on a trop d’avance tu n’as pas idée

laissez-les laissez-les parler on n’a pas le temps de les écouter

laissez-les laissez-les parler laissez-les laissez-les parler laissez-les laissez-les parler on n’a pas le temps de les écouter

laissez-les laissez-les parler laissez-les laissez-les parler laissez-les laissez-les parler on n’a pas le temps de les écouter dose and dose over dose sur le côté doucement doucement doser matta swagga en matta matta rogodogo matta

jolie bébé jolie femme viens on va danser hey jolie bébé jolie femme viens dans ma zone ah ce que tu veux yai te donner ce que tu veux yai te donner amadozene dozen dozendose amadozene dozen over dose amadozene dose

oyaya appeler position heeee on va décaler libérer eh on va s’amuser tout le monde prenez position on va décaler ehh libérer eh on  va s’amuser aller décalément décalément décalément s’envolement s’envolement s’envolement s’envolement s’envolement s’envolement petit vélo petit vélo petit vélo petit vélo patiner patiner patiner patiner kamata basketter basketter basketter basketter sur le coté sur le côté sur le côté sur le côté

oyaya maman position ehh on va s’amuser ehhh libérer eh on va s’amuser dose and dose over dose eh sur le côté doucement doucement

La mer est mon lit, le ciel est mon drap.


La mer est mon lit, le ciel est mon drap. L’horizon est la limite. Les coquillages ce sont mes enfants  et celles que j’ai aimées. Et cette femme sexagénaire à vélo en manteau gris, casque, gants et gilet de sécurité réfléchissant mon aile delta. Les lits se font et se défont, les ciels se lavent, se blanchissent  et se repassent, les horizons s’effacent et s’effilochent , les coquillages s’ensablent ou servent aux devins, les pneus crèvent, se réparent ou éclatent. Etrange équilibre entre mer, ciel et horizon précaires !

snapchat-996962416-1874411986.jpg

Bébélé

Mon grand-père, Monsieur Bardus, était de Marie-Galante. Je ne l’ai pas connu. Mais je suis sûr que jeune j’ai mangé du bébélé. Je ne savais probablement pas que c’était du bébélé. Tripes de mouton ou d’agneau ou à défaut tripes de bœuf, poyo ( bananes vertes ou ti nain ou ti fig), fruit à pain bléblé ( vert, pas mûr, blet). Ça c’est la recette originale. En réalité. Le bébélé est un « comfort food » ou « soul food ». Du type de plat qui réclame une sieste après son passage.

Chaque cuistot à sa recette.

Certains comme Babette de Rozières vous rajouteront à ces ingrédients de base de Marie Galante des donbrés, des queues de cochon, du giraumon, de la carotte, du malanga, des clous de girofle, du piment végétarien, du piment antillais bondamanjak, de l’ail, échalote, du navet, du citron vert, du persil, sel, poivre, du thym, du fond de volaille, cives. D’autres préféreront ajouter pwadibwa (pois d’angole), chou, igname, feuilles de bois d’Inde ou laurier, voire un morceau de lard fumé. D’autres encore substitueront aux pois d’angole des pois mélangés (angole, boukoussou, savon) ou ajouteront de la christophine ou du poireau. Tout dépend de la saison et de ce que l’on a sous la main à disposition.

Le bébélé c’est le plat du pauvre à l’origine. Mais je lui trouve des airs de noblesse.

Aux  tripes d’agneau (panse, feuillet, nid d’abeille) il était même d’usage autrefois d’ajouter des morceaux de sang de boeuf coagulé et des morceaux d’andouille.

En matière de cuisine on le sait les esprits sont chagrins, chacun revendiquant l’authenticité de son plat. En fait chacun faisait en son temps avec ce qu’il avait sous la main. Et il en est de la gastronomie comme de l’art. Les cuillères, les fourchettes, les couteaux, les faitouts sont les instruments à partir desquels le cuisiner, l’artiste va sublimer la matière première et comme en toute chose il y aura des traditionnels frileux et des innovateurs délurés. La cuisine vit comme tout art entre ces deux pôles extrêmes. 

Chanté Nwel à Mayotte

Ça fait du bien de rencontrer des compatriotes. Gloria in Excelsis Déo ! Ce Chanté Nwel a été formidable. Tout d’abord pour les rencontres que j’ai pu y faire mais aussi pour la gastronomie antillaise qui s’est exprimée comme il se doit. Nous étions une trentaine à Iloni,  Dembéni près de la plage sur l’écolodge de Carla, une guyanaise, Australes Resorts  ex Maji Parc, qui propose dans un  parc de 5000 mètres carrés une dizaine de lodges, un restaurant ainsi que de nombreuses activités autour de la mer, la piscine et la mangrove. Cours de danse kazumba aussi. L’entreprise en est à ses balbutiements. Les projets sont nombreux ! En attendant je me suis renseigné : les lodges sont à 64 € la nuit pour une personne petit déjeuner inclus. Ajouter 15€ par personne supplémentaire. L’endroit est encore  confidentiel. Aucune pub ! Pas de signalisation ! Elle m’a quand même proposé d’y organiser en janvier ou février une journée à thèmes Brésil : je ferai une feijoada ou un cozido ou une maniçoba. Je n’ ai vu l’endroit que la nuit mais il semble agréable. A 20 mètres de la plage. Au pays des makis.

L’assemblée était à presque 100 pour cent composée d’enseignants. Le dress code était  rouge et blanc, ou rouge et vert. Bon, mon maillot de bain était blanc et rouge ! Sauvé ! Il y avait une participation boissons : 1 boisson alcoolisée (rhum, punch coco, schrubb, anis rose) OU 3 bouteilles de vin (au choix: rouge ,blanc ou rosé) OU 1 pack  d’eau gazeuse et 1 pack de coca cola 0U un pack d’eau plate plus un  pack de Fanta ou Sprite, OU 4 litres de jus et 1 pack d’eau gazeuse. Nous nous sommes échangé  de bons plans sur comment obtenir le crabe, le bon mérou, le poulpe (à Hamouro le samedi ou le dimanche après midi) les gombos (à Combani, ou à Kaweni chez un marchand de légumes après la zone Nel appelé Kagna). J’ai oublié de leur demander où ils avaient trouvé le sang pour le boudin…J’étais aux anges. Ambiance typique.

Bon, bon, bon, accourons-y donc,
Bon, bon, bon, accourons-y vite.

J’ai commencé par deux punch coco (parce que ça faisait longtemps) suivis de deux shrubb (parce que ça faisait presque un an et demi) et d’un planteur aux fruits de la passion (parce que je ne connaissais pas et quand on ne connaît pas il faut goûter). J’avais quant à moi apporté trois bouteilles de Gewurztraminer. Oui car chacun devait participer.

Au menu j’ai vu défiler des quiches aux crevettes et au piment, des samoussas viande et poisson. Tout cela en amuse-gueule avec des cacahuètes. Non, à ma grande surprise il n’y  avait pas d’accras. Il y avait aussi du Damoiseau mais je n’ y ai pas touché. Par contre les rhumiers se sont servis. Les rhumiers étaient même venus avec leur timbale en inox. L’un l’avait même accrochée au cou. Mais les enseignants ne sont pas des rhumiers ordinaires. De temps en temps je les voyais prendre un verre d’eau fraîche pour stabiliser la rhumerie. Et on chantait en choeur pour les encourager ce cantique hautement religieux:

Donnez-moi du rhum pour l’arroser

Celui qui a fait le rhum est un homme intelligent

Celui qui a fait le vin  est un homme insignifiant

Nous avons chanté sous la houlette de Marie, une martiniquaise bien rondelette et rigolote, tout le monde avait son livret avec les paroles et elle lançait la musique sur la sono. On chantait, on dansait, on rigolait. Michaud veillait, oh la bonne nouvelle, il est né le divin enfant, Les Anges dans nos campagnes, Dans le calme de la nuit, Allez mon voisin, et j’en passe des bonnes et des meilleures, tout le répertoire des cantiques y est passé.

Puis après avoir bien sautillé, brenné et chanté on fit mine d’autoriser enfin  l’accès au rhum par cette chanson Ti punch sur l’air de Lundi matin, le roi, la reine et le petit prince :

Lundi matin le rhum, le sucre et citron

Sont venus chez moi pour me couper la gorge

Comme j’étais pas là La Mauny a dit

Puisque c’est comme ça nous reviendrons mardi.

Mardi matin le rhum, le sucre et le citron

Sont venus chez moi pour me couper la gorge

Comme j’ étais pas là Damoiseau a dit

Puisque c’est comme ça nous reviendrons mercredi

Ensuite ce fut au tour de Saint Etienne qui reviendra le jeudi, Bernus le vendredi, Bologne le samedi et Clément le dimanche.

Après de nombreux chants chrétiens repris avec entrain et malice  vint enfin l’heure de la pause dîner . Je sautai sur un morceau de boudin : il n’y en avait pas beaucoup car ils avaient éclaté. Mais débrouya pa péché, vous savez ! J’ai eu ma part ! Dieu reconnaîtra les siens au Jugement Dernier ! Mais j’ai pu goûter l’un des rescapés. Bon je ne dirais pas que ce fut le meilleur boudin de ma vie. Loin de là. Mais cela fit du bien là où cela passa. Ensuite j’ ai goûté pour la première fois un peu de bébélé de  Marie-Galante à base de fruit à  pain.

 http://www.dailymotion.com/video/x2kkg86

 J’allais apprendre un peu plus tard en discutant avec un prof de génie civil qu’avec la poudre de fruit à pain on fait maintenant du chodo.

Ensuite j’ai confectionné mon plat de réjouissances natalines : pois d’angole, pois rouges, à nouveau bébélé, riz, colombo cochon. Le colombo cochon était pout moi un peu salé mais j’ai tout de même rincé mon plat sans me faire prier ! Et pour accompagner ces délices caribéens deux verres de Gewurtz alsatien.

J’aurais aimé entendre alors ce titre de Daphné : Calée mais je n’ai eu droit qu’à Alice ça glisse. Après toutes ces réjouissances une sorte de torpeur m’a envahi. Alors je suis passé à l’eau glacée. Puis nous avons repris mais avec moins d’ entrain le chant sauf que la plupart étaient maintenant assis. Sauf Marie et deux ou trois comparses qui s’évertuaient à animer le groupe de quinquagénaires et sexagénaires pour la plupart. La fête devait commencer à 19h30. Moi-même je suis arrivé à 20h30. Et il n’y avait presque personne. Je crois bien que les chants ont commencé à 22 h. À 1h30 fin des réjouissances. Louise, la dame qui m’avait non seulement invité mais aussi gentiment emmené à l’aller  puisque je ne suis pas motorisé m’a trouvé un monsieur pour me ramener sur Mtsapéré.

Je fais désormais partie de la liste des Antillais de Mayotte. Je sais qu’ils sont nombreux et qu’ils organisent des soirées sous n’importe quel prétexte. Il y a semble-t-il beaucoup de policiers et personnes issues d’autres milieux qui se retrouvent aussi à Petite Terre. Affaire à suivre. A Pâques, c’est la fête du crabe. C’est noté ! Mwen adan ! Beaucoup rentrent dès la semaine prochaine en métropole ou aux Antilles ou sillonnent l’ Afrique du Bénin au Togo, de l’Angola au Kénya. J’ai parlé mon gros créole un petit peu, j’ai rencontré des personnes charmantes, ouvertes, faciles d’accès, d’autres plus distantes comme dans toute société. Je ne sais pas si j’étais le plus âgé mais je le crois. La plupart rentreront aux Antilles une fois leur mission terminée ici après 4 ans, 7 ans ou plus de loyaux services. La plupart sont ici pour le pognon et ne se privent pas de le dire. Ils rentrent souvent en été aux Antilles. Ont une maison là-bas ou en métropole ou les deux. Certaines sont mariées avec des métropolitains enseignants eux aussi qui étaient là. Beaucoup sont seuls, enfin c’est l’impression qu’ils me donnent. Mais ce que j’ai aimé c’est leur vitalité à réactualiser la tradition. Le Chanté Nwel est une tradition catholique, mais chacun peut le revisiter à sa sauce. Moi en tout cas j’ai aimé cet aspect burlesque quand par exemple Marie a dansé avec Joseph sur l’air de Joseph mon cher fidèle

Marie :
Joseph, mon cher fidèle,
Cherchons un logement,
Le temps presse et m’appelle
A mon accouchement.
Je sens le fruit de vie,
Ce cher enfant des cieux,
Qui d’une sainte vie,
Va paraître à nos yeux.

Joseph :
Dans ce triste équipage,
Marie allons chercher,
Par tout le voisinage,
Un endroit pour loger.
Ouvrez, voisin la porte,
Ayez compassion
D’une vierge qui porte
Votre Rédemption.

Les voisins de Bethléem :
Dans toute la bourgade,
On craint trop les dangers,
Pour donner le passage
A des gens étrangers,
Au logis de la lune,
Vous n’avez qu’à loger,
Le chef de la commune
Pourrait bien se venger.

Marie :
Ah ! Changez de langage,
Peuple de Bethléem,
Dieu vient chez nous pour gage,
Hélas ! Ne craignez rien.
Mettez-vous aux fenêtres,
Ecoutez ce destin,
Votre Dieu, votre Maître,
Va sortir de mon sein.

Les voisins de Bethléem :
C’est quelque stratagème
On peut faire la nuit,
Quelque tour de bohème,
Quand le soleil ne luit.
Sans voir ni clair, ni lune,
Les méchants font leurs coups,
Gardez votre infortune,
Passants, retirez-vous !

Joseph :
O ciel quelle aventure,
Sans trouver un endroit,
Dans ce temps de froidure,
Pour coucher sous le toit.
Créature barbare,
Ta rigueur te fait tort,
Ton coeur déjà s’égare
En ne plaignant mon sort.

Marie :
Puisque la nuit s’approche
Pour nous mettre à couvert,
Ah ! Fuyons ce reproche,
J’aperçois au désert
Une vieille cabane,
Allons mon cher époux,
J’entends le boeuf et l’âne
Qui nous seront plus doux.

Joseph :
Que ferons-nous Marie,
Dans un si méchant lieu,
Pour conserver la vie
Au petit Enfant-Dieu ?
Le monarque des anges
Naîtra dans un bercail
Sans feu, sans drap, sans langes
Et sans palais royal.

Marie :
Le ciel, je vous assure,
Pourrait nous secourir,
Je porte bon augure,
Sans crainte de périr.
J’entends déjà les anges
Qui font d’un ton joyeux,
Retentir les louanges,
Sous la voûte des Cieux.

Joseph :
Trop heureuse retraite,
Plus noble mille fois,
Plus riche et plus parfaite
Que le louvre des rois !
Logeant un Dieu fait homme,
L’auteur du paradis,
Que le prophète nomme
Le Messie promis.

Marie :
J’entends le coq qui chante,
C’est l’heure de minuit,
O ciel ! Un dieu m’enchante,
Je vois mon sacré fruit,
Je pâme, je meurs d’aise,
Venez mon bien-aimé !
Que je vous serre et baise !
Mon coeur est tout charmé.

Joseph :
Vers Joseph votre père
Nourrisson plein d’appas,
Du sein de votre mère
Venez entre mes bras !
Ah ! Que je vous caresse,
Victime des pêcheurs,
Mêlons, mêlons sans cesse,
Nos soupirs et nos pleurs.

et pendant tout ce temps Marie faisait semblant d’avancer avec son gros ventre prêt à accoucher tandis que Joseph (dont c’était lui aussi le vrai prénom) la suivait de très près. Plus tard aussi quand Les anges dans nos campagnes a été entonné et que quelqu’un a cité un vers de Victor Hugo « Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne, je partirai » qui n’a rien à voir avec l’histoire. C’est de l’humour antillais, bref ! Disons ! Et cric et crac ! Excusez moi pour la vidéo tremblotante. Boire et filmer il faudrait choisir.

Décembre c’est le mois du donbré en toutes sauces

Allez enfin décembre pointe le bout de sa langue et voilà que soudain je commence à saliver. C’est le mois du donbré en toutes sauces. Eh oui que croyez-vous? J’ai mes 31 recettes de donbré, compè man ! Une par jour. Parfois je commence avec l’Avent et je suis le calendrier sauf que au lieu d’un chocolat par jour c’est un plat de donbrés par jour.

On a l’embarras du choix. Mais cette année je commencerai décembre par un donbré feuille de manioc et lait de coco. Mayotte oblige, il faut utiliser les ingrédients qu’on a sous la main. Donbré lokal, boug! Et le mataba est toujours disponible ici. Ensuite j’envisage dans le désordre, un donbré crabes de terre, un donbré poulpe, un donbré ciriques, un donbré brède mourongue sardines, un donbré au thon blanc et aux gombos, un donbré lentilles, un donbré pois rouges, un donbré pois d’Angole (ambrevades), un donbré aux fruits de mer (palourdes, moules, ouassous ou crevettes, lambi), un donbré brède songe, ( épi massalé, laké cochon et lard fumé), un donbré poulet fumé gombos, un donbré rougail merguez (tomates concassées, oignon, ail, gingembre, curcuma) ou rougail saucisse fumée, un donbré aux pois mélangés épi laké cochon, un donbré tripes, donbré lamori, etc etc etc, halte là, mon lascar car je ne vais pas vous donner en live toutes mes faiblesses. Eh oh ! Il faut bien que je garde quelques secrets d’antan pour d’autres  futurs mois de décembre, si les dieux et déesses me prêtent vie quand même. Mais ce ne sont pas les tutos qui manquent. Tenez au hasard le donbré écrevisses (ouassous en Gwada, z’habitants en Madinina) tiré sur youtube  de la Cuisine de Claire-Marie:

 

Le donbré, vous voyez, ça peut être sophistiqué si on le désire, on peut flamber les  écrevisses au rhum vieux et ensuite ajouter du vin blanc, on peut faire pocher les boulettes dans de l’eau chaude pendant 15 minutes puis les intégrer à la sauce pour terminer la cuisson, on peut mettre dans le bouquet garni  feuilles de bois d’Inde ou  feuilles de laurier, en fait on fait ce qu’on peut avec ce qu’on a sous la main. Tu as cives, mets cives, tu as zonions pays mets zonions  pays, tu as whisky mets whisky, tu as Calvados  mets Calvados, tu as farine manioc mets farine manioc, tu as piments bondamanjak mets bondamanjak, boug, je te l’ai  déjà dit en bon français : comme tu veux tu choises. C’est la simplicité  menm ! Tu veux blé mets blé, tu veux farine de maïs, mets farine de maïs! Comme tu veux tu choises, au risque de me répéter, tu peux mélanger moitié moitié , tiers tiers, comme ça te chante, tu peux ajouter huile d’olive, huile de tournesol ou de soja ou d’arachide, beurre ou  beurre rouge (bé rouj a base de saindoux, roicou et paprika) ou rien du tout, une deux trois pincées de sel, de l’eau, certains ajoutent de la levure, d’autres du thym. Tu fais comme tu veux. Tu mélanges, tu pétris, tu fais reposer. Ensuite tu formes des boulettes que tu peux aplatir ensuite ou pas. Quand j’étais petit on disait que les boulettes étaient martiniquaises et que les nôtres aplaties étaient les vraies, les authentiques, les intensément guadeloupéennes mais en fait chacun fait comme il veut, le goût est le même. Mais au risque d’être chauvin : boulettes c’est madininais, dombrés ou donmbrés  ou donbrés c’est gwadadéen. Certains font même de petits cylindres allongés et découpent ensuite consciencieusement et millimétriquement la chose. Ce sont des boulettes  calibrées au gramme et au millilitre près ! Moi ma nature c’est de les faire comme je les ai toujours vu faire, faire des boulettes et les aplatir. Je sais, je sais, toutes les recettes sur le net ne montrent que des boulettes. Tout juste si j’en ai vu une aplatie. Mais faites moi confiance, oubliez le marketing qui aplanit tout pour le rendement forcené, continuez la variété des styles. Faites votre propre pâte, votre propre sauce, votre propre mélange de protéines et de légumineuses, pardi.  Faisons les malélivés, mangeons avec les mains, et pour les contrarier un petit peu chantons avec Eugène Mona ou Victor O ou les deux, l’un à la suite de l’autre « Ma maman m’a dit comme ça ».

 

Mon mois de novembre gastronomique

Novembre s’achève. Un mois très riche gastronomiquement. Les mangues, vertes ou mûres, le fruit à pain rôti à la braise, le rougail tomates bien pimenté, le brède mourongue aux sardines, le brède Mafane au bœuf ou au poisson, une nouvelle façon de faire cuire la viande au préalable sans aucun assaisonnement à l’eau, le jus de jaque au citron, l’ananas, le malanga alias dachine alias chou de chine alias madère alias songe alias dasheen alias yautia alias majimbi frit ou cuit à l’eau, le chou vert comme ingrédient des cary, le gombo au poisson à la mode congolaise, les achards de mangue verte, de papaye verte , le massalé en remplacement du colombo, le taboulé à la feta au concombre et à la menthe, la caipirinha au citron vert et à la mangue. Vous me connaissez je n’ai opposé aucune résistance. Je suis tombé dans le piment de l’Océan Indien, je suis putu putu ! J’ai toujours aimé les fruits et ce mois-ci je me suis régalé de corossol, mandarines,  mangues,  ananas, une vraie orgie. J’ai un petit souci avec les bananes jaunes auxquelles je trouve un goût étrange mais je mange les bananes vertes rôties au feu de bois. J’attends pour décembre les letchis.

Soy salsero loco si señor

Il y a quelque chose qui m’intrigue dans mon parcours. J’adore la salsa et pourtant à part mes années à New York entre 1973 et 1975 et un passage d’une journée en excursion à Puerto Rico il y a plus de 55 ans je n’ai jamais mis les pieds sur une terre de salsa. Ni Cuba, ni La Republica Dominicana, ni Colombia ni ni ni ni ! Etrange pour quelqu’un qui se clame salsero haut et fort !

C’est mon père qui m’a inculqué le virus ! Je sais qu’il avait les disques et qu’il dansait le merengué, le cha cha cha tandis que ma mère  c’était plutôt les boleros et les biguines. Un héritage caribéen tout à fait singulier.

D’un côté le bolero Amor, amor amor de Julito Rodriguez ou El reloj de Los Tres Caballeros , Mienteme de Los Ruffino

Je ne me souviens pas tout ce que j’entendais en Guaeloupe mais je me souviens en métropole de Luis Kalaff,

En matière de jazz je suis un hérétique, un infidèle, un apostat

Parfois je  mets ma jazz playlist #3 , je mets la lumière tamisée et je me mets à planer sur une sorte de tapis volant magique en direction du nuage # 9. Parfois on se croirait dans un hall d’aéroport, parfois dans un hall de gare, ou un shopping center de Dubai où je n’ai jamais mis les pieds, puis j’atterris à Kuala Lumpur et la seconde d’après je suis à Djakarta. Et je mange, je mange des morceaux de musique « medium rare » ou saignant. Ô délices, le jazz je ne suis jamais gavé, non jamais, jamais repu, j’en redemande toujours et encore. Encore un peu de rab s’il vous plaît m’sieu ! Et c’est parti pour 3 heures  !

jazz-1

Charlie Parker- All the Things you are

Charlie Parker / Just Friends

Art Blakey – Moanin’

Charles Mingus- Moanin’

Cannonball Adderley – Autumn Leaves

Cannonball Adderley/One for Daddy-O

Miles Davis- My Funny Valentine

Miles Davis- Blue in green

Dexter Gordon- Shadow of your Smile

Sonny Rollins- Poor Butterfly

Duke Ellington – Isfahan

Wayne Shorter – Speak no Evil

John Coltrane- Wish I Knew

 

John Coltrane- You’re a Weaver of Dreams

Charles Mingus- Memories of You

Horace Silver- Silver’s Serenade

Clifford Brown- Yesterdays

En matière de jazz je suis un hérétique, un infidèle, un apostat, faites votre choix, peu m’importe. Je n’adule, vous vous en doutez  aucun « epitome of jazz », ce sont tous des effluves du même parfum. C’est véritablement aux USA que j’ai découvert le jazz sur le coup e mes 21 ans. Avant j’en écoutais mais e façon abstraite, religieuse, c’était une affaire d’initiés, une chapelle. J’allais à Bagneux dans les soirées hootenanny informelles centrées sur le folk et le blues je crois) où on présentait des disques et on en discutait ans le cadre je crois du conservatoire municipal ou d’une association. La ville de Bagneux étant communiste un accent très fort était mis sur la musique mais surtout pour peu que je me souvienne sur le blues. J’ai donc été initié au blues et au folk à Bagneux Mais je dois avouer que cette atmosphère mystique me déplaisait un peu. Moi j’étais plutôt I’ve got ants in my pants and i need to dance ! J’étais plutôt James Brown, j’étais cool. Dans ces soirées hootenanny on se serait cru  dans un cloître, dans une chapelle. D’ailleurs c’est étrange plus tard sur mes 30 ans j’allais beaucoup à la chapelle des Lombards et au cloître des Lombards à Paris, aux Halles. Oui le jazz s’écoute beaucoup dans les caves et caveaux comme le caveau de la Huchette. Mais je ne me savais pas une âme troglodyte.

Mais arrivé à New York en juillet ou août 1973 mon premier pas fut de m’installer dans le Greenwich village près de Washington Square. J’ai oublié le nom de la rue , le nom de l’hôtel mais je sais que je passais avec mon frère cadet et l’ami Mat des journées entières sur le parvis du Washington Square à faire voler des boomerangs, des frisbees et à écouter de la musique. Nous allions aussi nous balader du côté de la Bowery, un quartier vraiment gore, remplis de bums (les clochards) de hookers (les putes) de drug addicts (les guédros) et de niggers (comme moi même). (Moi j’étais en fait là-bas pire qu’un nigger puisque j’étais un fucking coconut. Personne n’ayant jamais entendu parler de la Guadeloupe, je disais pour faire court que j’étais West indian et quand il fallait dire d’où exactement pour se différencier des Portoricains en nombre à New Yoirk je disais que j’étais de Saint-Thomas, US Virgin Islands) oh il y avait aussi des slick (des gens qui se baladaient sur leurs chaussures à talons compensés avec d’énormes colliers au cou et des montres flashy. Mais surtout il y avait des coupes afro, des magasins de tous côtés qui vous vendaient de l’afrosheen, des peignes afro plus énormes les uns que les autres. il y avait aussi es hippies mais moi je ne me souviens que du jazz. Avec le temps je me rends compte que je ne suis jamais allé dans un bar à Harlem écouter du jazz, boire un coup, jouer au snooker. Je sais que nous avons joué au snooker mais c’était à Brooklyn plus tard, Coney Island. Mon premier boulot fut de vendre à la criée The Village Voice, journal mythique. Oui nous avons été au Village Vanguard et au Blue Note et c’est là que je me suis rendu compte que le jazz pouvait être une fête et non une messe. Pendant que les artistes jouaient on parlait allègrement, fumait, buvait. voila la vraie ambiance que j’aimais. La vie. Et les instrumentistes ne s’en offusquaient pas. A l’époque je buvais des tequila sunrise (tequila, jus d’orange et sirop de grenadine). il y avait aussi es concerts e jazz gratuits à Central Park. On pouvait écouter en jouant au frisbee ou au baseball tout en grignotant des hamburguers et en se sifflant des Cherry Coke ! Et on pouvait bien sûr draguer !